Minha vida foi construída de pedaços cheios, carregados, entre espaços que faltavam. Tentei sim e por um tempo acreditei que havia conseguido preenchê-los. Mas (in)felizmente são espaços específicos, como um quebra-cabeça. Uns, tenho a esperança de conseguir preencher algum dia. Outros, certamente nunca serão preenchidos novamente.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Era para ser nós
Hoje eu tava estudando na biblioteca da universidade e, entre uma desatenção e outra, observei um rapaz que estudava na mesa da frente quando seu avô (ou pai, talvez) chegou para lhe buscar. Entendi quando ele pediu para que o senhor esperasse um pouco enquanto terminava de fazer algo. Este, então, sentou, tirou os óculos do rosto, um guardanapo amassado de dentro do bolso e se pôs a limpar seus óculos, EXATAMENTE como vovô fazia. E, ainda, estava vestindo uma bermuda jeans bege com uma blusa surrada branca lisa e tênis, como vovô gostava de ir caminhar todos os dias. Na mesma hora, imaginei cada detalhe dele, ele indo me pegar na escola, limpando os óculos, rindo com aquela risada frouxa. Confesso que cheguei a vê-lo na minha frente. Tão perto e tão longe. Era para ser nós dois ali. Não pude evitar, a saudade tomou conta de mim. Meu Deus, como isso dói... Como eu queria vê-lo limpar os óculos de novo...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário