Toda semana ele me agradava com uma pastilha comprada na feira. Dois dias antes de morrer ele me deu umas quatro. Não entendi, mas também não questionei. Eu fui consumindo-as lentamente, para que não acabassem nunca, mas a última simplesmente não consegui abrir. Passou tanto tempo que ontem não teve jeito, tive que jogá-la fora. E, por mais que pareça besteira ainda era uma lembrança palpável dele e doeu jogá-la no lixo. Não quero que nada ligado a vovô vá sumindo assim, como areia que o vento leva. Quero tudo aqui, bem perto, pra que ele também fique. Cada vez mais perto, sempre perto de mim.
Minha vida foi construída de pedaços cheios, carregados, entre espaços que faltavam. Tentei sim e por um tempo acreditei que havia conseguido preenchê-los. Mas (in)felizmente são espaços específicos, como um quebra-cabeça. Uns, tenho a esperança de conseguir preencher algum dia. Outros, certamente nunca serão preenchidos novamente.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
A última pastilha se foi
Ontem aproveitei o feriado pra arrumar umas coisas e, ao puxar um papel de dentro da gaveta, ele veio todo melado. Resolvi tirar a gaveta toda pra ver o que danado era aquilo. E eis que me deparei com a última pastilha dada por meu avô. Sim, eu não consegui abri-la nem jogá-la fora, desde julho de 2011.
Toda semana ele me agradava com uma pastilha comprada na feira. Dois dias antes de morrer ele me deu umas quatro. Não entendi, mas também não questionei. Eu fui consumindo-as lentamente, para que não acabassem nunca, mas a última simplesmente não consegui abrir. Passou tanto tempo que ontem não teve jeito, tive que jogá-la fora. E, por mais que pareça besteira ainda era uma lembrança palpável dele e doeu jogá-la no lixo. Não quero que nada ligado a vovô vá sumindo assim, como areia que o vento leva. Quero tudo aqui, bem perto, pra que ele também fique. Cada vez mais perto, sempre perto de mim.
Toda semana ele me agradava com uma pastilha comprada na feira. Dois dias antes de morrer ele me deu umas quatro. Não entendi, mas também não questionei. Eu fui consumindo-as lentamente, para que não acabassem nunca, mas a última simplesmente não consegui abrir. Passou tanto tempo que ontem não teve jeito, tive que jogá-la fora. E, por mais que pareça besteira ainda era uma lembrança palpável dele e doeu jogá-la no lixo. Não quero que nada ligado a vovô vá sumindo assim, como areia que o vento leva. Quero tudo aqui, bem perto, pra que ele também fique. Cada vez mais perto, sempre perto de mim.
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