Minha vida foi construída de pedaços cheios, carregados, entre espaços que faltavam. Tentei sim e por um tempo acreditei que havia conseguido preenchê-los. Mas (in)felizmente são espaços específicos, como um quebra-cabeça. Uns, tenho a esperança de conseguir preencher algum dia. Outros, certamente nunca serão preenchidos novamente.
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
Tentei te achar.
Hoje eu te vi. Vi na pessoa de tio Otoniel. Vi nos traços tão parecidos, nas expressões faciais, no cabelo idêntico... como a tal da genética é forte. Indiscutivelmente, não tem como olhá-lo e não associá-lo ao senhor. Daí a minha reação de sair em disparada atrás dele para cumprimentá-lo. De todos os irmãos, o que parece gêmeo, mas que o senhor fazia questão de ressaltar: "gêmeo nada, tu não tá vendo que sou mais alto e muito mais bonito, não?". E era mesmo. Só que melhor que isso, foi me dar conta, definitivamente, que mesmo com toda a força da genética humana, e todos os traços e trejeitos parecidos, não há como vocês se confundirem. Eu até tentei encontrar um pouquinho do senhor no abraço dele e os meus olhos até podem ter se aliviado. Mas no coração, a saudade pulsa, preenche cada espaço e me confirma: "gêmeo nada". Tou vendo sim, vô.
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