Minha vida foi construída de pedaços cheios, carregados, entre espaços que faltavam. Tentei sim e por um tempo acreditei que havia conseguido preenchê-los. Mas (in)felizmente são espaços específicos, como um quebra-cabeça. Uns, tenho a esperança de conseguir preencher algum dia. Outros, certamente nunca serão preenchidos novamente.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
FELIZMENTE, meu avô ainda é fortemente presente nos meus dias. O que ele pensaria, como reagiria, o que gostava, como me abraçava, e até seus defeitos. Sinto falta de cada um deles. Sinto falta do meu avô como se me faltasse um dente na frente. Essa semana, mais uma vez, avistei Tio Otoniel. Travada no mesmo lugar por alguns minutos, de longe eu o vi envelhecido e fiquei pensando se vovô estaria também com uma aparência mais velha. Que vontade de mexer no seu cabelo de novo e escutá-lo cantando bem alto as músicas de Roberto. Que saudade de ser acordada com um copo de suco de laranja, mesmo sendo mais cedo que o despertador. Eu juro que não iria reclamar mais disso. Nunca mais. Que saudade da maior cumplicidade que já tive nessa vida, do melhor cuidado e do amor da sincero.
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